26/01/2018

Edicao 14 - Dezembro2017

PlastCoLab movimenta a Avenida Paulista

Imagine um cubo mágico gigante, montado no coração da cidade de São Paulo, com atrações que dão ao público a chance de viver experiências interativas com novas tecnologias e que aproveitam as propriedades do plástico?

Durante os primeiros 15 dias de dezembro, o PlastCoLab, ação realizada pelo Movimento Plástico Transforma, pertencente ao Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), se baseou no movimento maker, uma extensão da ideia do "faça você mesmo", para unir criatividade, entretenimento, inovação e muita "mão na massa". O projeto, que contou com a participação de mais de 7 mil pessoas, foi criado para atrair a atenção de todos que querem saber mais sobre esse universo de inovação e transformação, promovendo debates sobre a utilização do plástico em toda e qualquer cadeia produtiva.

Para o vice-presidente executivo da Braskem, Edison Terra, o PlastCoLab serviu como oportunidade para levantar discussões importantes sobre o tema. "Podemos aproveitar o PlastCoLab para promover um debate baseado em informação, em experiências e em fatos dentro de um contexto prático e, ligado ao movimento maker, é uma ótima oportunidade de mostrar como o plástico é importante para as novas tecnologias, em razão de sua versatilidade".

O presidente da ABIPLAST, José Ricardo Roriz Coelho, concorda que o PlastCoLab levantou a discussão sobre a importância do plástico: "Uma instalação aberta ao público em plena Avenida Paulista é uma excelente oportunidade para provocar uma reflexão na sociedade sobre como os benefícios e a versatilidade do plástico estão presentes tanto em objetos simples, do dia a dia, como em projetos inovadores e criativos da novíssima indústria 4.0".

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Plástico e interatividade se unem no primeiro andar do PlastCoLab

Logo na chegada, a estrutura já impressionava e do lado de dentro, não era diferente. Diversas exposições interativas traziam ao visitante a oportunidade de se conectar a tecnologias inovadoras e criativas. Drones, robôs e impressoras, entre outras atrações, faziam com que o público não quisesse sair do primeiro andar do PlastCoLab.

O laboratório de inovação Mirante Lab foi um dos expositores, e uma das atrações que mais chamou a atenção foi os brinquedos plásticos fabricados em impressoras 3D, chamados de Bonecxs para Todxs. A ideia da exposição era fazer com que cada visitante brincasse e se identificasse como achasse melhor com os brinquedos, sem rótulos e nem preconcepções. Além disso, o laboratório levou ao espaço um simulador de drone, no qual os participantes puderam ter a real sensação de como é pilotar um desses aparelhos. O funcionário público Rafael Testa gostou da experiência: "Não é muito fácil de controlar, mas estou tentando".

Os visitantes puderam ver de perto estes "equipamentos voadores" de diferentes tamanhos e finalidades, e viram até mesmo um equipamento utilizado em parceria com a Prefeitura de São Paulo para localizar focos do mosquito da dengue. "Com o drone, conseguimos chegar a locais onde os agentes de saúde não conseguiam. Nossas inovações e pesquisas sempre buscam algo que tenha um impacto social, uma transformação", explica Carlos Cândido, fundador do Mirante Lab.

Além disso, quem passou pelo espaço pôde se surpreender e se divertir ao participar de uma batalha de hóquei entre robôs fabricados pela equipe de robótica da Poli-USP e, também, acompanhar de perto o funcionamento de uma impressora 3D - similar à máquina utilizada por astronautas da NASA -, e que fabricava objetos de filamento plástico obtido a partir da fonte renovável cana-de-açúcar, fornecida pela Braskem.

Um dos grandes destaques do espaço foi o robô NAO, presente na programação dos domingos. Com carcaça de plástico e sensores espalhados por toda a sua estrutura, o humanoide é capaz de responder ao contato humano e interagir de forma inteligente, a partir de diversas câmeras e autofalantes. Jay Maciel, representante da Somai, empresa responsável pelo desenvolvimento do robô, se mostrou bastante satisfeito com o interesse dos visitantes do PlastCoLab: "Várias escolas e universidades no Brasil já possuem e utilizam o NAO. Desde que foi criado, seu principal uso está vinculado ao ensino e à pesquisa em Robótica e Inteligência Artificial, principalmente em relação à interação com humanos e objetos."

No fim do dia, das 18h às 22h, os visitantes podiam se divertir com a atração Siga o Mestre. Nela as pessoas precisavam apenas postar uma foto com a hashtag da ação, #plasticotransforma, nas redes sociais. A atração interativa trazia uma sequência de luzes e cores reproduzidas na fachada do cubo mágico, e o desafio dos participantes era reproduzir a mesma sequência em um aparelho localizado na entrada do cubo. A atração reuniu um número grande de curiosos que se divertiu relembrando a infância.

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Inovação tecnológica como ferramenta de transformação

 







À primeira vista, as tecnologias apresentadas no primeiro andar do cubo, como as ferramentas de plástico impressas em 3D e os pequenos drones, podem parecer vindos do mundo da ficção científica. Mas essas e outras inovações são bem mais simples de produzir do que se imagina. Pensando nisso, a organização do PlastCoLab selecionou 10 oficinas e workshops que ensinaram crianças e adultos a montar bijuterias e brinquedos de plástico, fabricar drones em uma impressora 3D, ver como funciona uma máquina extrusora e até mesmo criar hortas automatizadas.

Para idealizar esses workshops, a organização se baseou no movimento maker, uma extensão da cultura do "faça você mesmo" que tem como premissa a ideia de que pessoas comuns podem construir, consertar, modificar e fabricar com suas próprias mãos os mais diversos tipos de objetos e projetos.

O arquiteto Rainer Grassmann, por exemplo, trouxe para o cubo mágico algumas das ideias que serviram de inspiração para o projeto Horta Urbana Automatizada, que une o reúso da água e outros materiais para cultivar alimentos em pequenos espaços, utilizando tecnologias de automação para controlar a irrigação.

Quem conseguiu participar das oficinas aprendeu, por exemplo, a manusear uma cortadora a laser para construir acessórios e uma impressora 3D para montar brinquedos. Os participantes da oficina ministrada pela professora Carolina Cardoso precisaram de muita concentração e precisão no manuseio do plástico na cortadora a laser e, assim, conseguir transformar ideias em objetos.

A organizadora das oficinas de montagem de brinquedos e moldes plásticos Lara Nacht também participou do workshop de corte a laser e afirmou que o desafio maior de estar em um projeto como o PlastCoLab é poder apresentar um mundo tecnológico ao qual nem todos têm acesso: "Trabalhamos com a proposta de usar a inovação tecnológica como ferramenta de transformação e acreditamos na democratização do acesso à tecnologia, realizando desejos ou projetos de um modo que não era possível 10 anos atrás".

Para o responsável pelas oficinas de Stencil, construção de fliperamas e vacuum forming, Roberto Stelzer, a ideia era entreter e divertir os participantes: "A regra era se divertir, sem grande esforço e trabalho. O mais interessante era ver a reação das pessoas em querer ver tudo funcionando para poder jogar e mexer com as máscaras e os acessórios".

 

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Espaço reúne iniciativas do movimento maker

 








O terceiro andar do cubo mágico foi especialmente reservado para palestras e hackathons sobre iniciativas e possibilidades do movimento maker. O objetivo era justamente estimular em todos os participantes o pensamento do "faça você mesmo", mostrando por meio de histórias reais o poder de transformação de materiais como o plástico.

E ninguém melhor do que uma das mais jovens empreendedoras brasileiras. Aos 6 anos de idade, Manoela Meroti decidiu fazer pinturas a mão e pulseiras de elástico para poder comprar uma boneca. Hoje, aos 9, já tem em seu currículo um hackathon que ganhou após construir um boneco de palitos de sorvete e dar diversas palestras por todo o Brasil.

A diretora executiva da Associação FabLab Brasil, Heloísa Neves, foi a primeira palestrante do PlastCoLab e também é entusiasta do movimento maker no Brasil. Ela acredita na democratização como ferramenta para o crescimento desse tipo de projeto no Brasil. Heloísa também falou sobre suas experiências vividas na época em que esteve na Espanha e como se sentiu quando voltou ao Brasil: "Percebi que os criativos brasileiros conseguiam se conectar rápido com o movimento maker. Minha proposta é capitar ou apoiar o desenvolvimento de projetos desse tipo para democratizar o movimento".

Já para Silvana Bahia, a cultura maker pode atuar como agente de transformação social, sobretudo em relação ao protagonismo de mulheres em projetos de inovação e ao papel da diversidade na promoção de novas tecnologias: "A ideia era estimular os participantes a fazer uma reflexão: se o futuro é tech, como fazer para que mais pessoas tenham acesso a essa tecnologia? Qual é o nosso compromisso nesse sentido?", explicou.

A educação também serviu como tema para mostrar a importância de novas tecnologias em nosso cotidiano. O professor e diretor pedagógico do Adoro Robótica, Charles Esteves Lima, trouxe para o cubo mágico o hackathon Educação Maker, no qual os participantes ajudaram a criar um kit educacional para um aplicativo de novas soluções a partir da reciclagem ou do reaproveitamento de materiais plásticos, como garrafas PET: "Nosso hackathon foi feito para todos que pensam em reciclagem ou reúso como caminho para um planeta melhor. Fiquei bastante feliz com o grande interesse dos participantes".

Para os participantes do hackathon Mobilidade Urbana, ministrado pela arquiteta e empreendedora Maria Augusta Bueno, o tema central era pensar e desenvolver soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios urbanos que enfrentamos hoje e que poderão ser ainda mais complexos para as próximas gerações.

 

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